Dia do Médico: carreira de pediatra reserva desafios, mas também gratas recompensas
 

Especialista fala sobre cotidiano da profissão, que está presente no momento mais importante da vida: o nascimento.

Na próxima quarta-feira, 18 de outubro, é lembrado o Dia do Médico. A data coincide com o Dia de São Lucas, considerado padroeiro dos médicos pelos católicos. Lucas era médico e viveu por volta do século I (depois de Cristo). Desde então, o mundo todo passou por diversas transformações, mas a figura do médico continua tendo extrema importância para a sociedade, tanto que, sempre que o Dia do Médico se aproxima, questões sobre a profissão e seus desafios voltam a ser colocadas em discussão.

Um dos debates mais recentes dá conta da carreira de pediatra, apontada por muitos como uma das mais desafiadoras a ser seguidas dentro da medicina. Quem fala sobre o tema é Dr. Angelo Bonadio, médico pediatra do Hospital Santo Antonio de Votorantim (SP). “Os desafios encontrados por quem segue a pediatria são muitos. Acredito que um dos principais seria o extremo cuidado em conferir um diagnóstico, sobretudo nas situações que envolvem crianças mais novas, que não sabem falar o que estão sentindo. A interpretação dos sinais clínicos deve ser muito bem apurada, para não abrir margem para erros que podem ser graves”, comenta o especialista.

Tamanha responsabilidade demanda dose extra de empenho e preparo. “Muitas especializações exigem dois anos de residência médica. No caso da pediatria, são três anos, o que acaba por espantar muitas pessoas que almejam a área, reduzindo o número de novos pediatras”, revela o médico.

Outra questão que desestimula a escolha pela carreira é a remuneração, normalmente mais baixa que de outras áreas médicas. “Outras áreas da medicina chamam a atenção dos estudantes, pois, além do tempo de residência menor, possuem remuneração mais atraente do que a pediatria”, conta Dr. Angelo.

Ser pediatra demanda muito mais que conhecer a fundo a saúde das crianças. “O pediatra precisa ser sensível também aos pais. Não adianta o pai da criança sair do consultório com um diagnóstico e uma receita médica em mãos. É preciso tranquilizar, amenizar o receio e a preocupação com o filho. Temos que transmitir confiança e estar sempre prontos também a apoiar os pais. Isto é fundamental, principalmente os de primeira viagem, que estão vivendo um mundo onde tudo é novo”, fala.

Devido a essa proximidade, a relação dos pais com o pediatra acaba se estreitando. “Muitos pais acabam criando uma relação de confiança e gratidão com os médicos que ajudaram seus filhos a superar uma doença. Além disso, a própria criança acaba ficando mais à vontade, pois conhece e confia no médico que o acompanha por toda a infância”, completa o especialista do Hospital Santo Antonio de Votorantim.

Embora a profissão reserve dificuldades, Dr. Angelo encerra dizendo que enxerga na pediatria uma das áreas mais belas. “Diferentemente das outras áreas da medicina, que trabalham diretamente relacionadas a tratar doenças, o pediatra está presente no momento mais importante da vida, que é o nascimento, o que acaba por deixar uma energia muito positiva, de alegria no ambiente hospitalar. Alegria que contrasta, muitas vezes, com o que outras pessoas estão vivendo naquele ambiente. Por isso essa profissão me atrai. Sem dúvidas, ser pediatra é para quem é apaixonado pela profissão!”, conclui.