Dia do médico: uso da tecnologia por médicos e pacientes ajuda ou atrapalha?
 

Especialista fala sobre custo elevado das novidades tecnológicas e alerta sobre os riscos de procurar informações médicas na internet

Na próxima quarta-feira, 18 de outubro, é lembrado o Dia do Médico. E, dentre as muitas homenagens, é recorrente o surgimento de debates sobre o atual momento e desafios da profissão. Uma das mais recentes discussões é sobre o emprego da tecnologia na medicina. Até que ponto os avanços tecnológicos são aliados do médico e quando podem atrapalhar?

Dr. Mauricio Mod, médico ortopedista e responsável técnico do Centro Médico São José, com unidades em Cerquilho, Tietê e Boituva (SP), acredita que a tecnologia é aliada, mas o acesso aos novos recursos é pouco democrático. “A cada dia, surgem novas ferramentas que facilitam o diagnóstico preciso, o que orienta um tratamento mais assertivo e eficaz. No entanto, as novidades normalmente possuem custo elevado, levam anos até estarem acessíveis à maioria da população. Esse encarecimento da medicina restringe o acesso a esses recursos, que deveriam estar à disposição de todos”, comenta.

Outra questão sobre o uso da tecnologia na medicina, que merece atenção segundo o médico, é a busca por respostas na internet. “Hoje em dia, é muito fácil acessar sites e pesquisar sobre sintomas e chegar a um ‘autodiagnostico’ equivocado. Com isso, as pessoas acabam se automedicando e, até mesmo, deixam de procurar um especialista. Acredito que esse seja um dos pontos desfavoráveis da tecnologia para a área médica, que ocorre porque as pessoas não sabem utilizar esse recurso adequadamente”, analisa Dr. Mauricio.

O ortopedista também afirma que nada substitui o exame clínico. “As informações presentes na internet, no máximo, podem servir como complemento, pois apenas o médico poderá pesquisar o histórico da pessoa, conhecer suas condições e hábitos de vida, analisar adequadamente um exame e, depois de tudo isso, chegar a um diagnóstico correto. Abrir um exame, ler o laudo e pesquisar na internet o que significa, não vai levar a um diagnóstico adequado”, alerta.

Aplicativos de mensagens

Da mesma forma que a internet, o que torna o uso de aplicativos de mensagens um recurso positivo, ou negativo, é o modo como é utilizado. “As mensagens por aplicativos são ótimas aliadas, principalmente em emergências, como quando o médico está distante e o paciente precisa tirar uma dúvida, ou está sendo atendido por outro colega, que não está acompanhando o caso. No entanto, há ressalvas importantes: fazer uma consulta, diagnosticar ou prescrever medicamentos via mensagens é um equívoco grave, pois não há o exame físico, o tato do médico, somente os relatos do paciente. Então, mais uma vez, o recurso deve ser um complemento e não o meio principal”, frisa o ortopedista e responsável técnico do Centro Médico São José.

Dr. Mauricio encerra dizendo que os recursos tecnológicos são sempre bem-vindos na medicina, desde que utilizados corretamente. “Assim como um carro nas mãos de quem não sabe dirigir pode se transformar em uma arma, a informação e a tecnologia precisam do respaldo de quem entende de determinado assunto a ser pesquisado. Por isso, acredito que, mesmo com tantas facilidades, a figura do médico torna-se cada vez mais essencial, pois ele é o profissional capacitado para filtrar as informações, chegar ao diagnóstico preciso e orientar o melhor tratamento”, conclui.